Um novo estudo da PwC, em parceria com a ABcripto, mostra que o mercado cripto brasileiro vive um momento de expansão acelerada, mas ainda enfrenta barreiras estruturais e regulatórias.
As conclusões partem de entrevistas com representantes de empresas associadas à entidade.
Em resumo, o levantamento revela uma expectativa crescente de que a tokenização será uma das frentes mais transformadoras do setor nos próximos anos.
Embora o relatório tenha sido finalizado e divulgado agora, a etapa de pesquisa foi realizada em maio. Antes, portanto, da regulamentação definitiva de criptoativos pelo Banco Central (BC).
Tokenização ganha força entre empresas do setor cripto
Fabio Moraes, diretor de educação e pesquisa na ABcripto, afirma que a tokenização pode promover uma revolução no mercado financeiro brasileiro.
Ele destaca que 80% das empresas priorizam criptomoedas dentro de suas operações. Tokens representam 17% das prioridades, e infraestrutura em blockchain, apenas 3%.
Hoje, blockchain, cripto e tokenização respondem por 70% da receita das empresas consultadas, enquanto os serviços complementares representam 30%.
A maioria das companhias atua diretamente com serviços financeiros. Além disso, as equipes já demonstram domínio técnico significativo:
- 43% têm conhecimento profundo;
- 40% = alto;
- 3% = razoável;
- 10% = baixo;
- 3% = nenhum.
Mesmo assim, surgem preocupações. Confira os principais desafios apontados pelos entrevistados:
Empresas veem oportunidades, mas ainda buscam clareza
O estudo mostra que o mercado enxerga grande potencial nos tokens, mas com alguns poréns.
Entre os associados da ABcripto, 73% veem oportunidades claras, enquanto 23% reconhecem potencial, mas sem visibilidade total. Apenas 3% não percebem oportunidades relevantes.
Os benefícios esperados da tokenização também aparecem de forma bastante distribuída:
- mais eficiência operacional = 70%;
- diversificação de investimentos = 60%;
- captação de recursos = 53%;
- venda de ativos = 53%;
- uso em câmbio e transações internacionais = 50%.
Aspectos como segurança, governança corporativa e programas de fidelidade também surgem, embora com menor peso.
Apesar dos desafios, Moraes lembra que o Brasil já soma 10 milhões de CPFs investindo em criptoeconomia, o que reforça a rápida adoção tecnológica no país.
Mercado espera consolidação em até cinco anos
A pesquisa indica que 57% das empresas acreditam que o mercado de criptomoedas estará consolidado entre dois e cinco anos.
Outro grupo, de 30%, espera consolidação ainda mais rápida, em até dois anos. Apenas 13% trabalham com horizonte superior a cinco anos.
O avanço regulatório também aparece como preocupação imediata. O Banco Central dará nove meses para que as empresas se adaptem às novas regras.
Moraes questiona se todas conseguirão estar plenamente preparadas, especialmente em temas como segregação patrimonial e requisitos de capital. Ele afirma, porém, que algumas exchanges iniciaram a preparação há anos.
PwC aponta falta de infraestrutura centralizada
Willer Marcondes, sócio da PwC, explica que 53% das empresas participantes são de serviços financeiros e 23% de tecnologia.
A maior parte não possui licença bancária e opera majoritariamente para clientes corporativos, embora 42% atendam tanto empresas, quanto consumidores.
Segundo ele, o Brasil adotou tecnologias de DLT há mais de uma década, mas ainda ficou para trás em aspectos mais avançados de blockchain e cripto.
Os recursos humanos especializados continuam escassos, e o país ainda não consolidou uma infraestrutura padronizada de tokenização.
Para Marcondes, essa lacuna atrasou o desenvolvimento, enquanto outras economias encontraram caminhos alternativos.
A pesquisa também avaliou o nível de preparação das empresas diante das consultas públicas do Banco Central. Cerca de 40% já tinham iniciado ações alinhadas às novas exigências.
Outras 23% declararam estar prontas, enquanto 17% planejavam começar apenas em 2025. Um grupo de 7% só pretende atuar para ficar em conformidade a partir de 2026.
A pesquisa foi divulgada em meio a uma disputa entre conselho e diretoria da ABCripto.
Drex ainda impõe barreiras técnicas
O estudo da ABcripto e da PwC também dedicou espaço ao Drex. Para 27% das empresas, a complexidade da solução e dos requisitos é a principal barreira.
Outras 23% apontam dificuldades técnicas com o sistema central. Faltam: clareza dos benefícios de cada caso de uso e profissionais qualificados para trabalhar com o projeto.
Marcondes afirma que o Brasil possui nota 7 em nível regulatório, segundo observatório global da PwC.
Ele lembra que países como Estados Unidos, Suíça, Singapura e Arábia Saudita já construíram suas próprias infraestruturas e avançam mais rápido.
💡Explore também: Melhores Corretoras P2P de criptomoedas no Brasil em 2025
Por que confiar no 99Bitcoins
O 99Bitcoins foi fundado em 2013 e sua equipe é especialista em criptomoedas desde os primórdios do Bitcoin.
de pesquisa toda semana
+100 milleitores todo mês
contribuições de especialistas
2000+projetos cripto avaliados


