A Strategy ainda é a maior detentora corporativa de BTC, com cerca de 649.870 unidades do ativo, em meados de novembro de 20225.

A empresa comprou esse total por aproximadamente US$ 48,37 bilhões. Dessa forma, o valor médio de cada BTC foi de US$ 74.433.

Como o BTC próximo dos US$ 80 mil, o cenário está começando a parecer um tanto incômodo para Michael Saylor e sua Strategy. E esse não é o único fator preocupante. Confira nossa análise a seguir.

Strategy será excluída do Nasdaq-100 Index?

Existe um risco real de que a companhia saia do Nasdaq-100 Index, índice que o QQQ e vários ETFs com foco em tecnologia acompanham.

Isso porque a MSCI, uma das maiores provedoras de índices no mundo, abriu uma consulta para definir se companhias em que ativos digitais constituem mais da metade do patrimônio total ainda deveriam ser classificadas como empresas operacionais comuns.

Se a MSCI decidir excluir as empresas de gestão de ativos digitais, a Strategy poderia ser removida dos seus índices.

A alternativa seria enquadrar essas organizações como fundos – algo que Michael Saylor, presidente da Strategy, contesta veemente no caso de sua empresa. A decisão deve sair por volta de 15 de janeiro de 2026.

Analistas alertam que a exclusão da Strategy poderia desencadear entre US$ 2,8 trilhões e US$ 11,6 trilhões em vendas forçadas de ativos passivos.

Estima-se que a probabilidade de isso ocorrer fica entre 80% e 95%. Inclusive, alguns analistas acreditam que o resultado já foi precificado, o que pode explicar parte da recente e acentuada queda do BTC.

Market Cap

Acompanhe: Projeção de Preço para o Bitcoin entre 2025-2030

Efeito cascata

Se a MSCI efetivamente remover a Strategy, as saídas passivas de capital podem chegar a cerca de US$ 2,8 bilhões.

Se Nasdaq-100, FTSE Russel e outros seguiram o mesmo caminho da MSCI, o total de vendas forças pode atingir algo entre US$ 8 trilhões e US$ 11 trilhões – o que corresponde a cerca de 15% a 20% da capitalização de mercado da Strategy.

Segundo estimativas do JPMorgan, as chances de esse movimento por parte dos índices ocorrer gira entre 70% e 90%.

Apesar de tudo isso, Michael Saylor continuar a comprar e acumular Bitcoin. Para ele, se trata de uma estratégia de tesouraria de longo prazo.

No entanto, entre o curto e o médio prazos, a situação pode representar um grande obstáculo para as ações da companhia, devido à venda forçada, à redução de liquidez e a condições mais desafiadoras para captar recursos.

O que vai ser da Strategy se o BTC cair para menos de US$ 74 mil?

Diante de tudo o que está acontecendo agora, a única coisa que realmente pode ajudar a Strategy é um melhor desempenho do BTC, em comparação com a atual movimentação do ativo.

No entanto, a criptomoeda não está dando sinais de que vai caminhar nessa direção. Por conta isso, as chances de o BTC cair para menos de US$ 74 mil são relativamente altas.

Casso isso ocorra, as holdings de BTC Strategy começariam a apresentar uma perda não realizada no papel. Como a MSTR é negociada como proxy do BTC, a ação provavelmente sofreria uma forte queda.

Na verdade, essas ações já vêm caindo nas últimas semanas. Quando se combina esse fator à possibilidade de remoção aventada pela MSCI, a situação pode se complicar bastante.

Seria, consequentemente, o fim da Strategy e de Michael Saylor? Não, absolutamente não.

Não haverá vendas forçadas ou margin calls no futuro próximo. A maior parte dos US$ 8 bilhões em dívidas da Strategy estão em notas conversíveis, que só vencem entre 2027 e 2032.

A Strategy já sobreviveu a cenários muito piores antes. Especialmente, em 2022, quando as pessoas acreditaram, verdadeiramente, na possibilidade de falência da companhia.

Atualmente, a carteira de Bitcoin da empresa se mantém extremamente lucrativa. Além disso, sua estrutura de débito está mais sólida do que nunca. E a única nova ameça significativa é a exclusão dos índices.

Isso, efetivamente, prejudicaria as ações da Strategy, por conta das vendas forçadas de passivos. No entanto, não é uma ameaça para a empresa diretamente. Nem força a companhia a vender seus Bitcoins.

Assim sendo, é bem provável que Saylor não vá a lugar nenhuma. Ou seja, vida longa ao Bitcoin.

 

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Daniela de Lacerda
Daniela de Lacerda

Daniela de Lacerda é jornalista e pesquisadora, mestra em comunicação. Há quatro anos atua como curadora de inovação em mídia, tecnologia e economia, incluindo o setor de criptomoedas. Como editora e repórter, trabalhou em grandes veículos de comunicação do Brasil,... Leia mais

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