O governo brasileiro dá um passo ousado no combate ao crime organizado ao propor a venda de BTC e outros ativos digitais apreendidos em operações policiais.

A medida, parte do Projeto de Lei 5.582/2025, foi enviada ao Congresso em 12 de novembro de 2025 pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e autoriza a liquidação dessas criptomoedas antes mesmo do resultado dos julgamentos.

A estratégia visa desmantelar a infraestrutura financeira de facções criminosas, como o Comando Vermelho, atingindo-as onde mais dói: em suas carteiras digitais.

A proposta surge em um momento de intensa atividade regulatória no mercado cripto brasileiro e de grandes apreensões. Um exemplo são os 1.600 BTCs do caso Unick Forex, que, no momento da redação deste artigo, valem mais de R$ 870 milhões.

Originalmente conhecido como ‘PL Antifacção’, o projeto agora intitulado ‘Marco Legal de Combate ao Crime Organizado (PL 5.582/2025)’ propõe uma mudança significativa na forma como o Estado brasileiro lida com bens confiscados.

A principal inovação é tratar os ativos digitais apreendido no Brasil como moedas estrangeiras ou valores mobiliários, permitindo que instituições financeiras os convertam em reais rapidamente.

A lógica é evitar a desvalorização dessas criptomoedas pela volatilidade do mercado e, principalmente, impedir que o dinheiro retorne para as mãos dos criminosos, por meio de brechas legais ou longos processos judiciais.

A votação do projeto, relatado pelo Deputado Guilherme Derrite, está marcada para a próxima terça-feira, 18 de novembro, e tem gerado intenso debate político entre governo, oposição e especialistas em direito penal.

O impacto financeiro das apreensões de ativos digitais

O volume de criptoativos nas mãos da Justiça brasileira é expressivo. O caso mais emblemático é o da Unick Forex, uma pirâmide financeira que lesou 1,5 milhão de pessoas e captou cerca de R$ 29 bilhões.

A Polícia Federal entregou à Justiça cerca de 1.600 BTCs da empresa em outubro de 2025, um montante que, na cotação de aproximadamente US$ 103 mil por unidade, ultrapassa os R$ 870 milhões.

Outras operações, como a Kryptos (R$ 150 milhões bloqueados em 2021) e a Lusocoin (US$ 13 milhões congelados em setembro de 2025), também demonstram a escala do problema.

Esses números revelam o potencial financeiro que a nova lei busca destravar, convertendo fundos ilícitos em recursos para o Estado e para o ressarcimento de vítimas.

Operação Data Valor Apreendido Status Destino
Unick Forex Out/2025 1.600 BTCs (~R$ 870 milhões) Entregue à Justiça Ressarcimento de vítimas
Kryptos Ago/2021 R$ 150 milhões Bloqueado Em investigação
Lusocoin Set/2025 US$ 13 milhões (USDT) Congelado Em investigação

Como a venda de BTC pode enfraquecer facções?

A estratégia de liquidar o Bitcoin apreendido no Brasil ataca diretamente a fonte de poder das organizações criminosas modernas.

Ao converter os ativos digitais em moeda fiduciária de forma ágil, o governo impede que as facções utilizem esses recursos para financiar suas operações, comprar armas, expandir territórios ou corromper agentes públicos.

Nesse sentido, a medida sufoca financeiramente grupos como o Comando Vermelho. Segundo investigações da Polícia Federal, essas facções utilizam criptomoedas para lavagem de dinheiro e transações internacionais.

Portanto, a venda antecipada garante que o valor não se perca na volatilidade do mercado cripto. Ademais, evita que os réus recuperem os fundos, caso o processo se arraste por anos.

A conversão rápida permite que o Estado direcione os recursos para ações de combate ao crime. Da mesma forma, esses valores podem indenizar vítimas de esquemas fraudulentos, criando um ciclo virtuoso de justiça financeira.

ANTES do PL 5.582/2025 DEPOIS do PL 5.582/2025
❌ BTC fica bloqueado por anos ✅ Venda imediata autorizada
❌ Risco de desvalorização ✅ Conversão rápida em reais
❌ Facções podem recuperar fundos ✅ Recursos direcionados ao Estado
❌ Processo judicial lento ✅ Liquidação antes do julgamento
❌ Volatilidade do mercado cripto ✅ Valor preservado em moeda fiduciária

BTC e crime organizado: uma relação complexa

A relação entre criptomoedas e crime organizado preocupa autoridades globalmente.

Embora o Bitcoin não seja anônimo, sua natureza descentralizada o torna atrativo para atividades ilícitas. Além disso, as transações internacionais ocorrem sem intermediários tradicionais.

No Brasil, investigações revelaram que facções utilizam criptoativos para movimentar recursos entre países. Esses ativos também servem para pagar fornecedores.

Diante disso, a proposta de venda antecipada responde diretamente a essa realidade. Em outras palavras, busca prevenir novos crimes, ao cortar o fluxo de caixa das organizações criminosas.

A controvérsia por trás da venda antecipada

Apesar do objetivo nobre, a proposta de vender ativos antes da condenação definitiva é controversa. De fato, ela levanta questões jurídicas complexas.

Primeiramente, críticos argumentam que a medida pode ferir o princípio constitucional da presunção de inocência. Surge, então, uma pergunta crucial: o que aconteceria se um réu fosse absolvido após seus BTCs já terem sido vendidos?

Atualmente, o projeto de lei ainda não deixa claro como seria feito um eventual ressarcimento. Por essa razão, o Ministério da Justiça criticou o relatório do Deputado Derrite.

A pasta aponta um possível ‘caos jurídico’. Nesse contexto, especialistas em direito penal alertam que a liquidação prematura pode abrir precedentes perigosos.

Por outro lado, defensores da medida argumentam que a urgência do combate ao crime justifica a flexibilização de certos procedimentos.

A discussão no Congresso promete ser acalorada, diante do desfio de equilibrar a urgência do combate ao crime com a necessidade de garantir os direitos individuais e a segurança jurídica.

Venda de BTC apreendido no Brasil

  • O Governo Federal propôs o PL 5.582/2025 para permitir a venda de criptomoedas apreendidas antes do fim dos julgamentos dos acusados.
  • A medida visa descapitalizar facções criminosas, como o Comando Vermelho, tratando criptoativos como moeda estrangeira para liquidação rápida.
  • Casos como o da Unick Forex, com 1.600 BTCs apreendidos (avaliados em cerca de R$ 870 milhões), mostram o potencial financeiro da proposta.
  • A venda antecipada gera controvérsia sobre o direito de propriedade e a presunção de inocência, sendo um ponto central do debate no Congresso.

💡Explore mais: O Que São Contratos Futuros de Bitcoin? Guia Rápido para Iniciantes

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Camila Picheth

Camila Picheth é jornalista com mais de 10 anos de experiência, especializada em Web3. Traduz tecnologias emergentes em narrativas claras e acessíveis para diferentes públicos do universo cripto e atua como Chainlink Advocate. Leia mais

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