Um dos elementos mais famosos do mundo cripto é o ciclo de quatro anos do Bitcoin (BTC). São quatro anos de bull market e, depois, e maior das criptomoedas cai, arrastando o mercado junto. Historicamente, esse fenômeno era diretamente associado ao halving.

Atualmente, o mercado está em momento positivo desde 2023, ou seja, estamos chegando a três anos de alta. Pela lógica tradicional, o ano de 2026 seria de bear market.

Mas será que esse ciclo ainda existe? O assunto é polêmico, e analistas debatem se ainda faz sentido acreditar nesse movimento. Especialmente diante da perspectiva de que o halving do BTC tem cada vez menos impacto no mercado.

Para André Franco, CEO da Boost Research, em todo ciclo de alta as pessoas querem que não exista um bear market, mas ele acaba vindo. ‘É muito otimista pensar que vai acabar o ciclo justamente quando é melhor para nós’, afirma.

Enquanto isso, Vinicius Bazan, CEO da Underblock, entende que muitas coisas que estão acontecendo agora não ocorreram nos últimos ciclos. Métricas on-chain e o cenário de juros, por exemplo, são bastante diferentes.

Halving x ciclos de 4 anos

Durante muito tempo, a justificativa para o ciclo de quatro anos foi a existência do halving do Bitcoin. O halving é um evento programado que ocorre a cada 210 mil mil blocos minerados.

No halving, a recompensa para os mineradores do ativo cai em 50%, tornando mais difícil descobrir novos blocos e, portanto, reduzindo o ritmo da emissão de novos BTCs.

Para Franco, o ciclo de quatro anos não responde mais ao halving. Porém, ainda resiste por motivos que podem ser até mesmo psicológicos.

Mesmo não tendo uma razão clara para ocorrer, o analista considera que é muito arriscado considerar que o bull market vai continuar indefinidamente, sem uma grande realização.

Nos ciclos passados, não raro o Bitcoin chegou a cair 70% da máxima nos momentos de bear market. O CEO da Boost Research considera que, embora não dê para prever de quanto vai ser a próxima queda, ela é mais provável do que uma alta do BTC que se prolongue indefinidamente.

‘Tem mais 30 meses de alta? O Bitcoin vai multiplicar seu valor por mais oito vezes neste ciclo? Eu acho que não’, avalia.

Market Cap

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Institucionalização

Na opinião de Franco, acreditar que uma maior institucionalização do BTC vai torná-lo imune aos ciclos é algo que não faz sentido, porque os grandes players institucionais ainda não são tão grandes em relação ao mercado.

‘Empresas de tesouraria de Bitcoin e BlackRock não têm nem 10% da oferta total de BTC. Eu não julgo quem acredita nessa tese, mas repetimos até agora, e não acho que a justificativa mudou’, defende.

Além disso, ele lembra que mesmo essas grandes gestoras também podem desacelerar o ânimo com alguns ativos ou até abandoná-los, dependendo da performance.

Ele lembrou, por exemplo, da febre das empresas com ESG (Governança Ambiental e Social), que despencou nos últimos anos.

Altas e baixas menos claras

Bazan, por sua vez, defende que os ciclos de quatro podem estar com os dias contados, porque os bull markets e bear markets estão cada vez menos definidos. Um exemplo, segundo ele, foi a queda de 30% que o BTC teve neste ano.

‘Eu não acho que vai fazer 8 vezes em dois anos. Mas, se a cada bull market a alta for menor, então a queda também será. O ciclo de quatro anos acabar é termos altas e quedas que são impossíveis de definir como bull market e bear market’, afirma.

Em resumo, para Bazan, o ciclo de quatro anos acabar significa existirem altas e quedas que tornem muito menos claros o que é bull market ou bear market. ‘Definitivamente não vamos subir para sempre’, ressalva.

O analista considera que, mesmo que o entusiasmo dos institucionais com criptoativos diminua, não se verá empresas do porte da BlackRock e da Franklin Templeton mandando seus clientes venderem BTC para esvaziar os produtos que possuem.

Cenário macro

Além disso, um dos pontos diferentes do atual ciclo é que o BTC atingiu sua máxima histórica e teve um bull market em meio a um momento de aperto monetário nos Estados Unidos.

Espera-se que, na semana que vem, o Federal Reserve (Fed) comece a reduzir as taxas de juros da maior economia do mundo, aumentando a liquidez global. Ou seja, o momento macro é propício para a valorização de ativos de risco, e não desvalorização.

Por fim, ele lembra, também, que o último trimestre do ano costuma ser positivo para ativos de renda variável em geral, seja no mundo cripto, seja em Wall Street.

Assim, mesmo que o ciclo de quatro anos coloque no radar que estamos no fim do bull market, isso não deve ocorrer ainda em 2025.

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Ricardo Brasiliano
Ricardo Brasiliano

Repórter de cripto e games. Caçador eventual de airdrops e sempre em busca das melhores informações. Leia mais

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