O mercado cripto vivenciou uma de suas piores quedas recentes nesta semana, com o BTC liderando um tombo que eliminou mais de US$ 156 bilhões em capitalização de mercado, em apenas 24 horas.

O crash global levou o principal criptoativo a ser negociado abaixo de US$ 100 mil pela primeira vez desde junho.

Dessa forma, uma combinação de liquidações massivas de posições alavancadas e uma crescente crise de confiança no setor de finanças descentralizadas (DeFi) impulsionou esse movimento.

No Brasil, os ETFs de Bitcoin listados na bolsa de valores B3 sentiram o impacto diretamente, seguindo a tendência de baixa e colocando os investidores locais em estado de alerta.

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O que está por trás do crash global do BTC?

A recente queda do Bitcoin não representa um evento isolado, mas, sim, o clímax de uma série de fatores que aumentaram a aversão ao risco em todo o mercado.

O catalisador imediato foi uma crise no setor DeFi, exacerbada por perdas de US$ 93 milhões no protocolo Stream Finance, que se somaram a um total de US$ 284 milhões em dívidas incobráveis em mercados de empréstimos descentralizados.

Esse cenário gerou um ‘medo de contágio’ que, combinado com a ação recente de um ataque hacker de US$ 128 milhões à Balancer, abalou a confiança dos investidores.

Nesse contexto, uma onda de liquidações forçadas varreu o mercado, totalizando US$ 1,37 bilhão em 24 horas.

Esse movimento acontece quando traders que operam com alavancagem são obrigados a vender seus ativos para cobrir perdas, o que acelera ainda mais a tendência de queda.

O Índice de Ganância e Medo (Fear & Greed Index), um termômetro do sentimento do mercado, despencou para 20, indicando ‘medo extremo’.

Fear & Greed Index despenca para 20, indicando 'medo extremo' no mercado de criptomoedas.

Fatores macroeconômicos, como incertezas políticas e a postura mais rígida do Federal Reserve, banco central dos EUA, também contribuíram para a fuga de capital de ativos de risco.

Impacto da queda em ETFs na B3

IBIT39, ETF de Bitcoin da BlackRock listado na B3, registra queda de 6,79% no último mês. BITI11, ETF de Bitcoin do Itaú Asset listado na B3, acumula queda de 5,93% no mês.

No Brasil, os investidores não ficaram imunes ao crash global. Os ETFs de Bitcoin listados na B3, que se tornaram uma porta de entrada popular para o mercado de criptoativos, refletiram diretamente a volatilidade externa.

O IBIT39, BDR de ETF da BlackRock, e o BITI11, do Itaú Asset, registraram quedas significativas em suas cotações no último mês, de 6,63% e 5,97%, respectivamente, no momento da redação deste artigo.

Embora a rentabilidade no ano ainda seja positiva, a recente correção acende um sinal de alerta.

A cotação desses ativos é duplamente influenciada: pela variação do preço do Bitcoin no mercado internacional e pela flutuação do dólar.

Dessa forma, a aversão ao risco em escala mundial, somada à desvalorização do criptoativo, impacta diretamente o bolso do investidor brasileiro que aposta nesses fundos.

👉 Entenda melhor: O que são ETFs? Como funcionam os Fundos de Índice.

Como os especialistas analisam o cenário?

Os analistas de mercado apontam que a correção, embora severa, pode ser um movimento de ‘limpeza’ necessário.

Liquidações massivas atingiram US$ 1,37 bilhão em 24 horas, acelerando a queda do mercado cripto.

Chris Newhouse, diretor de pesquisa da Ergonia, afirma que o mercado ainda está marcado pelo ‘trauma psicológico’ da liquidação maciça de outubro, que impede os operadores de manter posições vendidas com convicção.

Para ele, o mercado está dominado por operações táticas de curto prazo, enquanto a tendência de longo prazo permanece baixa.

Por outro lado, Ryan Lee, analista-chefe da Bitget, vê a situação com um olhar mais otimista para o futuro. Ele acredita que:

Esse tipo de liquidação geralmente redefine as avaliações, abrindo caminho para uma acumulação mais forte e sustentável, assim que a liquidez e o sentimento do mercado se estabilizarem.

A visão é de que, passada a turbulência, o mercado pode encontrar um novo fôlego para crescer de forma mais saudável.

O que esperar para o futuro do BTC e dos ETFs no Brasil?

O futuro de curto prazo permanece incerto. O Bitcoin está testando um suporte crítico na região de US$ 103 mil.

A perda desse patamar pode abrir caminho para uma busca pelo nível psicológico de US$ 100 mil. Em um cenário mais pessimista, até US$ 95 mil.

Para reverter a tendência de baixa, o ativo precisa recuperar a resistência de US$ 110 mil. Isso poderia restaurar a confiança e impulsionar o preço em direção a US$ 112.500.

Nesse sentido, para os investidores de ETFs na B3, a recomendação é de cautela. A volatilidade deve continuar, e é fundamental acompanhar tanto o cenário macroeconômico global quanto os desenvolvimentos específicos do mercado cripto.

A diversificação da carteira e uma estratégia alinhada ao perfil de risco são essenciais para atuar em um mercado que, apesar das quedas, ainda atrai grandes players, como a BlackRock.

Principais pontos sobre a queda do BTC e dos ETFs no Brasil

  • O mercado cripto perdeu US$ 156 bilhões em 24 horas, com o BTC caindo abaixo de US$ 100 mil pela primeira vez desde junho.
  • Uma crise de confiança no setor DeFi e liquidações massivas de US$ 1,37 bilhão foram os principais catalisadores da queda.
  • No Brasil, ETFs de Bitcoin na B3, como IBIT39 e BITI11, registraram quedas de aproximadamente 6% no mês, refletindo o crash global.
  • Especialistas veem o cenário com cautela, mas alguns apontam a correção como uma oportunidade para uma futura acumulação mais sustentável.

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Camila Picheth

Camila Picheth é jornalista com mais de 10 anos de experiência, especializada em Web3. Traduz tecnologias emergentes em narrativas claras e acessíveis para diferentes públicos do universo cripto e atua como Chainlink Advocate. Leia mais

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