O BTC um dia vai valer US$ 1 milhão e há razões para acreditar nisso. Cinco motivos, especificamente, segundo Diego Kolling, head da estratégia referente ao ativo no Méliuz.
Kolling é um especialista em criptomoedas e foi um dos líderes da Bipa antes de assumir a condução da área BTC da empresa. O Méliuz se converteu em março deste ano em uma empresa de tesouraria de Bitcoin.
Na opinião do executivo, a maior das criptomoedas é a solução para um mundo no qual o dinheiro está ‘doente’. E o melhor de tudo, segundo ele, é que a adoção do ‘ouro digital’ está só no começo.
Confira, a seguir, os cinco motivos que Kolling elencou para acreditar em uma disparada até US$ 1 milhão por unidade.
1. A governança da rede vai bem
Comparando o Bitcoin a um sistema de governo, Kolling disse que há três poderes na blockchain: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
- O Executivo seria formado pelos mineradores, que ganham bilhões de dólares para descobrir novos blocos da criptomoeda.
- O Legislativo, por sua vez, são os desenvolvedores, que escrevem em código as regras da moeda digital.
- E, por fim, o Judiciário são os nós da rede, que validam cada bloco minerado para definir se não há qualquer problema.
Para exemplificar a robustez do modelo, o especialista lembrou do fork de agosto de 2017, quando 95% dos mineradores queriam aumentar o tamanho do bloco, mas foram rejeitados pelos nós. O resultado da divisão foi a criação da criptomoeda Bitcoin Cash (BCH).
Desde então, na opinião dele, a segurança só aumentou. ‘O Bitcoin começou, em 2009, com 37 mil linhas de código. Hoje, tem 730 mil linhas. Além disso, tem 115 contribuidores ativos, o maior número da história’, destaca.
2. O bull market não acabou
De acordo com Kolling, analisando a duração dos ciclos de alta e baixa do BTC, é possível perceber que o atual movimento de alta tem 800 dias. Enquanto isso, ciclos de valorização anteriores entregaram um avanço pelo menos três vezes maior, em pelo menos 1.200 dias.
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Há uma razão macroeconômica, também, para acreditar no avanço. Nos últimos ciclos, como lembra o executivo, o apetite dos investidores foi impulsionado por taxas de juros baixas no mundo desenvolvido. Ou seja, maior liquidez disponível para os grandes investidores.
Desta vez, porém, o Bitcoin avançou nos últimos anos mesmo com juros elevados, e só agora começou o ciclo de redução de juros do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos.
‘O bull market atual é o primeiro, desde 2015, que não teve a contribuição do aumento da liquidez global’, diz Kolling.
3. A adoção institucional é recém-nascida
O ciclo atual também é o primeiro com participação de grandes empresas, investidores e capital institucional.
Em nenhum outro momento da história do BTC se viam grandes empresas, como a gestora BlackRock e o banco J.P. Morgan, anunciando produtos e iniciativas com ativos digitais.
E o mais surpreendente disso, de acordo com Kolling, é que o capital institucional alocado no Bitcoin ainda é muito pequeno. ‘Só 0,006% da alocação institucional está em BTC’, comenta.
‘A maior parte dos Bitcoins em circulação estão nas mãos de indivíduos. Isso porque 50% dos BTCs já foram distribuídos nos primeiros quatro anos da criptomoeda’, lembra.
4. A adoção global de BTC está na infância
Enquanto o institucional tem menos de 1% dos recursos aplicados em Bitcoin, o especialista nota que 4% da população global diz ter a moeda digital.
O número, segundo ele, ainda é muito baixo, e acena para um grande potencial de crescimento.
Principalmente porque, na avaliação de Kolling, o Bitcoin é o único ativo que ainda cumpre os requisitos necessários para um dinheiro bom:
O mundo inteiro tem US$ 900 trilhões de ativos. São US$ 330 trilhões em imóveis, US$ 300 trilhões em renda fixa, US$ 120 trilhões em dinheiro, e o restante em ações, ouro, arte e outros ativos.
Para Kolling, isso representa um sinal de que o dinheiro está ‘doente’, pois as pessoas compram ‘qualquer coisa’ para não sofrer com a desvalorização da própria moeda.
Tudo isso enquanto a forma de dinheiro chamada Bitcoin ainda tem ‘só’ US$ 2 trilhões de capitalização.
‘O imóvel hoje vale mais do que o justificado pelo seu valor de utilidade. O Bitcoin começará a herdar este papel monetário’, defende.
5. A Lightning expandiu a utilidade
O calcanhar de Aquiles do BTC sempre foi sua experiência em pagamentos. Com uma capacidade de processamento de sete transações por segundo, a blockchain da criptomoeda é demorada e cara para liquidar operações.
Esta realidade começou a mudar com o desenvolvimento da rede de segunda Lightning Network, que permite transações com Bitcoin quase instantâneas.
Esperar até uma hora para uma transação na rede Bitcoin é desconfortável. Na Lightning, os Bitcoins circulam de forma barata, quase instantânea e com privacidade.
Com isso em mente, ele destaca também que a rede já processa US$ 300 milhões por mês em pagamentos e recebimentos. ‘É e-commerce em Bitcoin’, afirma.
Futuro milionário
Partindo desses pontos de vista, o executivo considera que o BTC tem fundamentos suficientes para sustentar uma caminhada rumo a US$ 1 milhão.
Assim, por mais que o ativo já tenha se valorizado muito em sua história, ainda tem um grande espaço para subir.
Kolling falou durante o evento ‘Crypto: Day Experts’, em São Paulo, na última sexta-feira (24/10).
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