A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) prendeu em flagrante um homem acusado de furtar energia elétrica para manter uma estrutura clandestina de mineração de ativos digitais. O caso ocorreu na Ilha do Governador, Zona Norte da capital carioca.
Agentes da 37ª DP (Ilha do Governador) conduziram as investigações após denúncias de moradores. Os vizinhos reclamaram de barulhos intensos vindos de uma residência localizada na Rua Magno Martins, no bairro da Freguesia.
De acordo com os investigadores, a casa não possuía medidor de energia instalado, mas estava abastecida normalmente, o que indicava o desvio ilegal da rede elétrica.
No local, foram encontradas diversas máquinas de alto desempenho (as rigs) utilizadas para minerar ativos digitais, como o BTC. O imóvel havia sido alugado exclusivamente para a prática da atividade criminosa.
Atividade ilegal
A apuração da polícia apontou que o espaço funcionava como uma espécie de ‘fazenda de mineração’ improvisada. E foi alugado especificamente para isso.
Os equipamentos, ligados de forma ininterrupta, elevavam o consumo de energia, e os criminosos subtraíam eletricidade ilegalmente, para sustentar a operação sem custos.
‘Diante dos fatos, o criminoso foi autuado em flagrante por furto de energia elétrica’, informou a Polícia Civil, em nota.
As denúncias que levaram à descoberta partiram de moradores incomodados com o forte e constante barulho, causado pelo funcionamento das máquinas e dos sistemas de refrigeração necessários para evitar o superaquecimento.
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Furto de energia
A lei brasileira classifica o furto de energia elétrica, popularmente chamado de ‘gato’, como crime no artigo 155 do Código Penal, prevendo pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa.
Além disso, no caso da mineração de criptotivos, o delito costuma chamar atenção pelo elevado consumo dos equipamentos.
Segundo especialistas do setor elétrico, uma única máquina ASIC (Application-Specific Integrated Circuit), utilizada para minerar BTC, pode consumir, em média, entre 1.500 e 3.000 watts por hora.
Em uma residência comum, dezenas desses aparelhos, funcionando ao mesmo tempo, podem gerar um impacto similar ao consumo de um pequeno condomínio.
Além do prejuízo financeiro para a concessionária de energia, o desvio ilegal também representa risco de sobrecarga na rede elétrica e incêndios, colocando em perigo a vizinhança.
Mineração não é crime
Embora os criminosos tenham cometido furto de energia, é importante ressaltar que a lei brasileira não proíbe minerar Bitcoin e outros criptoativos.
Pessoas físicas e jurídicas podem manter máquinas legalmente adquiridas para esse fim, desde que arquem com os custos de energia e impostos, além de seguir as normas de segurança elétrica.
Nos últimos anos, a mineração ganhou espaço no país como alternativa de investimento e, até, de diversificação energética. Grandes operações, conhecidas como ‘farms’, já chegaram a se instalar em estados com energia mais barata, como o Paraná.
No entanto, o aumento da popularidade também trouxe casos de operações clandestinas. Segundo a Polícia Civil, furtos de energia destinados à mineração de BTC e de outras criptomoedas vêm crescendo, especialmente em áreas urbanas, onde o custo da eletricidade é mais alto.
Brasil e o cenário cripto
O episódio ocorre em um momento em que o Brasil figura entre os países com maior adoção de criptomoedas no mundo.
Um levantamento da Chainalysis, publicado em 2024, colocou o país como o quinto colocado em nível de adoção, à frente de economias tradicionais.
O uso de bitcoin e stablecoins em transações cotidianas — como pagamentos de serviços e comércio eletrônico — vêm se tornando cada vez mais comum.
A crescente aceitação de criptoativos levou a discussões sobre regulação e, também, à fiscalização de atividades relacionadas.
Especialistas apontam que casos como o da Ilha do Governador prejudicam a imagem da indústria e reforçam a necessidade de separar práticas ilegais, como o furto de energia, da mineração legítima, que pode gerar empregos e movimentar a economia.
Prisão em flagrante e próximos passos
Os policiais conduziram o suspeito preso à delegacia, onde ele responderá pelo crime de furto de energia. Os agentes encaminharam as máquinas apreendidas para análise, e elas poderão servir como prova durante o processo.
A Polícia Civil destacou que a investigação continua, para identificar possíveis cúmplices ou conexões com outras operações clandestinas.
Há suspeitas de que esquemas semelhantes possam estar em funcionamento em outras regiões do Rio de Janeiro, sustentados pelo mesmo modelo de desvio elétrico.
Em agosto, por exemplo, uma operação da Polícia Militar do Rio resultou na prisão de um guarda municipal acusado de comandar uma mineração ilegal de criptoativos. O caso ocorreu em Campos dos Goytacazes, maior cidade do interior do estado.
Conscientização da população
As autoridades reforçam a importância das denúncias da população em casos suspeitos. No episódio da Ilha do Governador, por exemplo, o incômodo gerado pelo barulho constante foi o ponto de partida para a descoberta da operação.
‘O apoio da comunidade é fundamental para coibir esse tipo de crime. O consumo irregular não só gera prejuízo financeiro como pode comprometer a segurança de todos na região’, alertou a Polícia Civil.
Enquanto a investigação prossegue, o caso serve de exemplo sobre os riscos do uso irregular da infraestrutura elétrica para atividades intensivas em energia.
O mercado de criptomoedas segue em expansão no Brasil. Porém, episódios como este reforçam a linha tênue entre a inovação tecnológica e a prática criminosa.
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