Anton Kobyakov, assessor do presidente da Russia, Vladimir Putin, afirmou que os Estados Unidos tentam ‘reescrever as regras’ dos mercados de ouro e de criptomoedas para reduzir sua dívida.

Atualmente, a dívida dos EUA gira em torno de US$ 35 trilhões. Segundo ele, Washington busca resolver o problema ‘às custas do mundo’ e conter a perda de confiança no dólar.

A declaração ocorreu no encerramento do Fórum Econômico Oriental, em Vladivostok, no último sábado (6/9)

Tese da Russia sobre os Estados Unidos

A teoria de Kobyakov, da Russia, é que os Estados Unidos poderiam migrar a dívida para stablecoins e, depois, desvalorizá-la, ‘começando do zero’.

Na visão do assessor de Putin, cripto e ouro funcionam como alternativas ao atual sistema monetário global. Portanto, viraram terreno de disputa geopolítica e regulatória.

A crítica da Russia chega em meio a uma normalização regulatória nos Estados Unidos. O governo dos EUA aprovou o GENIUS Act, que cria um arcabouço para stablecoins.

Além disso, autoridades vêm defendendo que ativos digitais reforçam — e não enfraquecem — a supremacia do dólar.

No setor privado, vozes de relevância, como Brian Armstrong (CEO da Coinbase), já sugeriram que a crise da dívida poderia impulsionar o Bitcoin a um papel mais central no sistema financeiro.

Contexto de mercado e geopolítica

A leitura de Kobyakov dialoga com temores globais sobre liquidez e endividamento público.

Entretanto, apesar da acusação da Russia, não há evidências de que os Estados Unidos tenham um plano concreto para ‘tokenizar’ a dívida pública e desvalorizar passivos via stablecoins.

Essa medida exigiria mudanças legais, coordenação com o Tesouro, o Federal Reserve e mercados.

Para investidores, a mensagem por trás do discurso é que cripto e ouro seguem no centro de uma competição de moedas e infraestruturas de pagamento.

E o mercado russo?

Apesar do tom crítico, a própria Russia avança em soluções digitais. A mídia estatal relatou o desenvolvimento de uma stablecoin lastreada em rublo em uma grande rede pública.

Enquanto isso, o país ampliou exceções para liquidações internacionais com cripto, após proibir pagamentos em 2022.

Em março, o Banco Central propôs permitir que indivíduos de alta renda comprem e vendam cripto sob regras específicas.

Ou seja, pode-se dizer que Moscou também mira ativos tokenizados para driblar sanções e reduzir dependência do sistema em dólar.

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Thiago Venturini
Thiago Venturini

Thiago Venturini é graduado em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Trabalho 3 anos como repórter científico cobrindo temas sobre ciência e tecnologia. Gosta de descobrir projetos em fase mbrionária e revalar ao público mais amplo. Seu encontro com... Leia mais

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