A Polícia Federal deflagrou, na manhã de quinta-feira (11/09), a Operação Snooker, em ação conjunta com a Corregedoria da Receita Federal. O alvo é uma organização criminosa suspeita de corrupção, descaminho e lavagem de dinheiro.
Segundo as apurações, o grupo movimentou cerca de R$ 40 milhões por meio de empresas de fachada, dinheiro em espécie e parte dos recursos convertidos em ativos digitais.
As investigações apontam que o esquema funcionou entre 2020 e 2025, com ramificações no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza (Ceará).
Receita Federal: dois núcleos e um mesmo objetivo
De acordo com a PF, o grupo operava em dois núcleos. O primeiro cuidava da importação de produtos chineses com subfaturamento e rotas irregulares.
O segundo introduzia produtos de prata no país, declarados de forma indevida como ‘bijuterias’, e reduzindo artificialmente a carga tributária.
O método combinava corrupção ativa e passiva, fraude à fiscalização tributária e descaminho – além de suposta manipulação de documentos periciais, caracterizando falsidade ideológica.
Enquanto isso, para efetuar a lavagem de dinheiro, a organização usava laranjas e uma rede de CNPJs de fachada, além de canais de criptomoedas para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
A Justiça Federal autorizou 27 mandados de busca e apreensão nas cidades de Fortaleza, Aquiraz, Maranguape e Maracanaú (todas no Ceará), além de Salvador (Bahia).
🚨 Receita Federal deflagra a Operação Snooker, com apoio da PF e MPF, para apurar ilícitos de servidor em Fortaleza.
Ação resultou na maior apreensão da história da Alfândega local e R$ 30 mi em autos de infração.
Compromisso com a integridade. #ReceitaFederal #OperaçãoSnooker pic.twitter.com/K3VhnC4cgU— Receita Federal (@ReceitaFederal) September 11, 2025
Ocorreram, também, diligências em Barueri (SP) e no próprio recinto alfandegário do aeroporto Pinto Martins.
A decisão judicial determinou o afastamento cautelar dos agentes públicos investigados — entre eles um auditor-fiscal e um perito credenciado.
Além disso, o sequestro de bens incluiu veículos, uma embarcação de luxo, contas bancárias, criptoativos e outros patrimônios, até o montante de R$ 40 milhões.
Segundo a Receita Federal, trata-se da maior apreensão já registrada pela Alfândega local, marco que reforça a atuação coordenada com a PF.
Denúncia de 2022 e tentativa de interferência
A origem do caso remonta a 2022, quando uma denúncia à ouvidoria do então Ministério da Economia relatou que um auditor do Aeroporto de Fortaleza recebia recursos em contas próprias e de familiares, alimentadas por empresas de fachada.
Durante as fiscalizações, a Receita Federal reportou tentativas de interferência nos procedimentos. Ocorreram ameaças a auditores e familiares, assim como disseminação de notícias falsas, para fragilizar a credibilidade do órgão.
Além disso, o uso de criptoativos como elo na cadeia de lavagem de dinheiro confirma a evolução das técnicas empregadas por grupos de descaminho. Jutificando, assim, o reforço e o foco da PF e da Receita Federal em rastreabilidade on-chain e cooperação com plataformas.
No caso da Snooker, os investigadores apontam que parte das remessas ilegais foi convertida em cripto para romper o vínculo com a origem dos valores, antes de retornar ao sistema financeiro tradicional.
Posição oficial e próximos passos
Em nota, a Receita Federal declarou que a Operação Snooker, combinada com a Operação Fortaleza, evidencia o compromisso com a integridade institucional e a atuação integrada com a PF e o Ministério Público Federal.
As duas frentes correm em paralelo, com possibilidade de novas medidas cautelares, quebras de sigilo e denúncias. A expectativa é que a perícia sobre os materiais apreendidos detalhe a cadeia de importações, a contabilidade de fachada e os fluxos cripto utilizados para a ocultação patrimonial.
No curto prazo, portanto, os afastamentos e bloqueios tendem a desarticular a logística do grupo e abrir espaço para responsabilização penal e administrativa dos envolvidos.
Para o comércio exterior, o caso sinaliza reforço no controle aduaneiro e maior escrutínio sobre classificação fiscal, subfaturamento e operações com criptoativos utilizados para lavagem de dinheiro.
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