Consistentemente listado como um dos principais setores para 2026, o DePIN utiliza tokens para incentivar pessoas a construir e operar infraestrutura física, como redes Wi-Fi, armazenamento de dados e redes de energia.

O potencial é enorme, com projeções de que as taxas on-chain geradas por aplicações DePIN cresçam 60% ao ano, ultrapassando US$ 32 bilhões até 2026.

Projetos diversos estão na vanguarda dessa revolução, demonstrando o poder da descentralização para criar um mundo mais conectado e eficiente.

O que é DePIN e como funciona

DePIN (Redes de Infraestrutura Física Descentralizada) é um modelo que utiliza a tecnologia blockchain e incentivos de token para construir e manter infraestrutura no mundo real.

Em vez de depender de grandes corporações centralizadas para fornecer serviços como armazenamento em nuvem ou conectividade sem fio, o ecossistema DePIN permite que qualquer pessoa contribua com seus recursos e seja recompensada por isso.

A expectativa é que este setor atinja um ponto de inflexão nos próximos anos, impulsionado pela crescente demanda por serviços descentralizados (DeFi) e pela maturação da tecnologia subjacente.

O funcionamento do DePIN é relativamente simples. Os participantes da rede, conhecidos como ‘provedores’, compartilham seus recursos de hardware, como espaço em disco rígido, poder de computação GPU ou pontos de acesso Wi-Fi.

Em troca, eles recebem tokens nativos da rede, que podem ser negociados em exchanges de criptomoedas. Do outro lado, os ‘usuários’ pagam com esses mesmos tokens para acessar os serviços de infraestrutura.

Esse modelo pode criar um mercado mais eficiente, resiliente e acessível, em comparação com as alternativas centralizadas tradicionais.

Projeções de crescimento para DePIN em 2026

As projeções de crescimento para o setor DePIN são impressionantes. De acordo com um relatório da 1kx, as taxas on-chain geradas por aplicações DePIN devem ultrapassar US$ 32 bilhões até 2026, representando um crescimento anual de 63%.

Esse desenvolvimento é impulsionado pela demanda real por serviços de infraestrutura descentralizada, e não apenas pela especulação de preços.

O mesmo relatório aponta que o setor DePIN cresceu 400% em receita recentemente, superando o crescimento de outras áreas, como, por exemplo, aplicativos voltados ao consumidor (200%) e wallets (260%).

Gráfico de barras comparando a concentração de protocolos por setor (DePIN, Wallets, Blockchains, Consumer, Middleware, DeFi/Finance), mostrando que os 5 principais protocolos DePIN representaram 88% das taxas no primeiro semestre de 2025.

Embora o DeFi ainda represente a maior parte das taxas on-chain (cerca de 63%), o rápido crescimento de novas verticais, como o DePIN, indica uma mudança no cenário do mercado de criptomoedas.

A capacidade do DePIN de criar valor no mundo real, resolvendo problemas tangíveis de infraestrutura, o posiciona como um dos setores mais promissores para os próximos anos.

Aethir, IO.Net e Helium: os líderes em taxas on-chain

Quando observamos os dados das taxas on-chain geradas por protocolos DePIN, três projetos se destacam de forma clara.

Gráfico de área mostrando o crescimento das taxas on-chain trimestrais para DePIN, destacando a dominância de Aethir (57%), IO.Net (5%) e Helium (5%) no terceiro trimestre de 2025, com projeção de US$ 64 milhões.

Em primeiro lugar, o Aethir (ATH) lidera com folga, representando impressionantes 57% de todas as taxas on-chain do setor DePIN. No momento da redação deste artigo, o ATH estava cotado a US$ 0,02354, com um valor de mercado de US$ 335 milhões.

O Aethir é uma infraestrutura de computação em nuvem GPU de nível empresarial, focada em IA, gaming e Web3.

Consequentemente, sua dominância no mercado reflete a crescente demanda por poder computacional descentralizado para treinar modelos de inteligência artificial.

O IO.Net (IO) ocupa a segunda posição, com 5% das taxas on-chain de DePIN. Cotado a US$ 0,2568 e com market cap de US$ 60 milhões, o IO.Net opera a maior rede de GPU descentralizada do mundo – agregando mais de 300.000 GPUs de data centers, mineradores e PCs gamers.

Além disso, a plataforma oferece acesso instantâneo a poder computacional até 70% mais barato que a AWS, democratizando o acesso a recursos de IA e machine learning.

Já o Helium (HNT), empatado com o IO.Net em 5% das taxas, é uma rede blockchain descentralizada para dispositivos IoT. Cotado a US$ 2,26 e com um valor de mercado de US$ 421 milhões, o HNT incentiva a criação de uma rede sem fio global por meio de ‘Hotspots’. Eles funcionam como gateways e mineradores.

Por fim, além desses três líderes, outros 34% das taxas on-chain vêm de projetos como Filecoin, Render e dezenas de outras redes DePIN emergentes, demonstrando a diversidade e o potencial de crescimento do setor.

Por que DePIN pode superar o mercado de telecomunicações

O potencial do DePIN vai além de competir com serviços de nuvem individuais. Alguns analistas acreditam que o setor pode superar todo o mercado de serviços de telecomunicações.

Projeções da Messari e do Fórum Econômico Mundial indicam que o valor de mercado do DePIN pode atingir US$ 3,5 trilhões até 2028, um crescimento de 6.000% em relação à sua avaliação em 2024.

Esse valor ultrapassaria a avaliação do mercado de serviços de telecomunicações, estimado em US$ 1,8 trilhão em 2024.

As vantagens estruturais do DePIN sobre a infraestrutura tradicional são a chave para esse potencial de crescimento.

A eficiência de capital é significativamente maior, pois o modelo DePIN não exige que uma única entidade invista em toda a infraestrutura.

Em vez disso, o custo é distribuído entre milhares de participantes da rede. Além disso, a descentralização torna o sistema mais resiliente e resistente à censura, eliminando pontos únicos de falha.

DePIN na prática: como essa tecnologia já está mudando o mundo

A tecnologia já está sendo aplicada em seis áreas principais que impactam o dia a dia das pessoas.

Na energia, por exemplo, proprietários de painéis solares podem vender energia excedente de volta à rede por meio de VPPs (Usinas Virtuais de Energia). É possível criar microgrids que operam de forma independente e resiliente.

Esse modelo permite que qualquer pessoa com um painel solar se torne um fornecedor de energia, democratizando um setor historicamente monopolizado.

Talvez o impacto mais surpreendente esteja na inteligência artificial. O DePIN está democratizando o acesso a GPUs ao agregar chips não utilizados de PCs gamers e data centers, criando um marketplace de computação permissionless.

Dessa forma, quebra o monopólio das grandes empresas de tecnologia, permitindo que desenvolvedores independentes treinem modelos de IA sem precisar de milhões em infraestrutura.

Além disso, wearables fitness conectados a redes DePIN permitem que usuários monetizem seus próprios dados de saúde.

Eles podem, então, vender para seguradoras, em troca de prêmios menores, ao mesmo tempo em que contribuem para pesquisas médicas descentralizadas.

DePIN: a próxima tendência de alto crescimento para 2026

  • DePIN é uma tendência de alto crescimento para 2026, com projeções de que as taxas on-chain ultrapassem US$ 32 bilhões.
  • O modelo utiliza tokens para incentivar a construção de infraestrutura física descentralizada, como redes Wi-Fi, armazenamento e energia.
  • Filecoin (FIL), Render (RNDR) e Helium (HNT) são os principais projetos do setor, cada um com um caso de uso específico.
  • O mercado DePIN pode atingir US$ 3,5 trilhões até 2028, superando o mercado de serviços de telecomunicações.

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Camila Picheth

Camila Picheth é jornalista com mais de 10 anos de experiência, especializada em Web3. Traduz tecnologias emergentes em narrativas claras e acessíveis para diferentes públicos do universo cripto e atua como Chainlink Advocate. Leia mais

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