A Anbima deu início a um projeto-piloto para tokenizar debêntures e cotas de fundos de investimento. O objetivo é testar se a tecnologia de registro distribuído (DLT) traz algum ganho de eficiência em relação à maneira atual de desenvolver esses fundos.

A DLT, ou Distributed Ledger Technology, é o princípio que sustenta a blockchain, a mesma base tecnológica das criptomoedas.

Mas, no caso da Anbima, o foco não é nas moedas digitais em si. O projeto busca testar o uso da tecnologia em um ambiente controlado, com instituições financeiras e parceiros técnicos.

Segundo o presidente da associação, Carlos André, os ativos que serão tokenizados não virão do mercado atual. Serão criados especificamente para o projeto.

‘Eles serão criados e ainda não serão ofertados para os investidores. Será tudo em um ambiente controlado com as instituições’, explicou, em entrevista ao Valor Econômico.

A iniciativa marca um passo importante na digitalização do mercado financeiro brasileiro.

A Anbima, que reúne bancos, gestoras e corretoras, quer entender se a tokenização pode simplificar etapas burocráticas, reduzir custos operacionais e, ao mesmo tempo, garantir mais transparência e rastreabilidade.

Estrutura e parcerias

O projeto não está sendo conduzido sozinho. A Anbima tem o apoio da Fenasbac, da RTM (empresa de tecnologia criada pela Anbima em parceria com a B3), da BBChain e do IPMF (que atua na padronização de processos tecnológicos).

Esses parceiros ajudam a estruturar a base técnica do piloto. ‘O que fizemos foi identificar alguns provedores e contribuidores para nos ajudar a colocar de pé a iniciativa, mas a filosofia é de ouvir o mercado’, afirmou Carlos André.

Para coordenar o projeto, foram criados quatro grupos. O primeiro é o grupo de trabalho, com especialistas que acompanharão a execução e enviarão relatórios ao comitê de negócios.

Inscrições para profissionais que tenham experiência com tokenização estão abertas desde sexta-feira (24/10).

O segundo grupo é o comitê de negócios, formado por associados da Anbima. Eles vão acompanhar os avanços do trabalho e receber os relatórios técnicos.

Em seguida, o comitê gestor, composto por executivos e diretores da associação, fará a supervisão institucional do projeto.

Por fim, há o comitê regulatório, que envolve a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC). A presença dos reguladores indica que o piloto não é apenas um exercício de inovação, mas também um esforço de aproximação entre o mercado e os órgãos de supervisão.

Do conceito ao produto mínimo viável

O presidente da Anbima destaca que o projeto nasceu do eixo de inovação do planejamento estratégico da associação. Nos debates internos, a Anbima definiu duas áreas prioritárias: inteligência artificial e tokenização.

Segundo Carlos André, a meta não é apenas testar a tecnologia em partes isoladas do processo, mas construir um MVP (Produto Mínimo Viável), que cubra todo o ciclo de vida de um ativo financeiro.

‘Queremos sair do outro lado com um MVP de tokenização que vá do nascedouro de uma debênture ou fundo até a construção dos documentos, inserção no ambiente de negociação, liquidação e o que vem depois’, afirmou.

Interoperabilidade e integração com o Drex

Apesar do avanço de diferentes projetos de tokenização no Brasil, André reconhece que a maioria ainda sofre com a falta de interoperabilidade. Em outras palavras, os sistemas não ‘conversam’ entre si.

Especialistas veem essa limitação como um dos principais desafios para tornar o mercado financeiro digitalizado, de forma realmente integrada e eficiente.

No futuro, a ideia da Anbima é que o modelo desenvolvido no piloto possa se conectar ao Drex, o real digital do Banco Central.

O Drex também se baseia em uma arquitetura de DLT, embora tenha sofrido ajustes recentes e abandonado parte das soluções de blockchain privadas que foram usadas na fase anterior de testes.

Com a integração, será possível imaginar um ecossistema no qual debêntures, cotas de fundos e até moedas digitais do BC coexistam e transacionem em uma infraestrutura comum.

Isso traria ganhos em eficiência, liquidez e rastreabilidade, além de abrir espaço para inovações financeiras mais sofisticadas.

Contexto e outras iniciativas

O movimento da Anbima ocorre em meio a uma onda de projetos que testam a tokenização de ativos no Brasil. A B3, por exemplo, também vem estudando formas de usar a tecnologia DLT para representar digitalmente títulos e valores mobiliários.

Já o BC, com o Drex, vem experimentando como o dinheiro digital pode facilitar liquidações automatizadas e programáveis. Em paralelo, bancos e fintechs lançam pilotos próprios para tokenizar recebíveis, cotas de FIDC e até imóveis.

Esses experimentos apontam para um mesmo objetivo: reduzir fricções e custos no mercado financeiro. Mas, por enquanto, o cenário é de fragmentação. Cada empresa desenvolve soluções próprias, e as iniciativas ainda não seguem padrões técnicos ou regulatórios comuns.

Impacto esperado

A tokenização permitiria emissões mais rápidas, liquidações quase instantâneas e uma rastreabilidade completa dos títulos.

Além disso, abriria espaço para a automação de processos via ‘smart contracts’, reduzindo a necessidade de intermediários e minimizando riscos operacionais.

Outro benefício seria a transparência. Como os registros ficam distribuídos em uma rede, as informações podem ser auditadas em tempo real, o que aumentaria a confiança de investidores e reguladores.

Para o mercado, o ganho de eficiência também pode significar custos menores. Em um cenário de margens apertadas e pressão por digitalização, isso é relevante.

Próximos passos

Por enquanto, a Anbima não definiu uma data para o fim do projeto-piloto. A associação deve divulgar as primeiras conclusões em relatórios internos e, mais tarde, compartilhá-las com associados e reguladores.

‘O que tivermos de conclusões, deixaremos disponível para os associados. Teremos diálogos com os associados e reguladores para saber se deu certo’, afirmou Carlos André.

👉 Descubra: Pré-vendas de criptomoedas: Nossas melhores escolhas em 2025

Por que confiar no 99Bitcoins

+10 anos

O 99Bitcoins foi fundado em 2013 e sua equipe é especialista em criptomoedas desde os primórdios do Bitcoin.

+90hr

de pesquisa toda semana

+100 mil

leitores todo mês

+80

contribuições de especialistas

2000+

projetos cripto avaliados

Google News Icon
Siga o 99Bitcoins no Google Notícias
Receba as últimas atualizações, tendências e insights diretamente na ponta de seus dedos. Assine agora!
Assine agora
Ricardo Brasiliano
Ricardo Brasiliano

Repórter de cripto e games. Caçador eventual de airdrops e sempre em busca das melhores informações. Leia mais

Crash Course gratuito sobre Bitcoin

  • Apreciado por mais de 100.000 alunos.
  • Um e-mail por dia, 7 dias seguidos.
  • Curto e educativo, garantido!

Negoceie futuros sem KYC. Adequado para iniciantes

  • Sem confirmação de KYC
  • Alavancagem até 1000x
  • Retiradas instantâneas
Negoceie futuros sem KYC. Adequado para iniciantes
Voltar ao topo