O mercado de moedas estáveis (stablecoins) alcançou um novo marco histórico ao bater US$ 310,117 bilhões em valor de mercado em 13 de dezembro.
Segundo dados agregados pela DeFiLlama, a capitalização somada das principais moedas estáveis oscilou em torno de US$ 309,9 bilhões. Porém, ainda acima de qualquer patamar já registrado antes.
O desempenho confirma a retomada de fôlego do setor após a correção de outubro, e reforça o papel das stablecoins como principal âncora de liquidez da criptoeconomia.
USDT mantém liderança, USDC reforça presença multichain
Nos últimos 12 meses, o valor total em stablecoins cresceu 52,1%, saltando de cerca de US$ 203,7 bilhões para quase US$ 310 bilhões. Mesmo com períodos de intensa volatilidade no mercado mais amplo de criptomoedas, o crescimento é notável.
Em novembro de 2024, a capitalização havia recuado para US$ 302,8 bilhões, mas a queda se mostrou pontual. Logo em seguida, o setor voltou rapidamente à trajetória de alta, até superar, agora, todos os recordes anteriores.
No topo do ranking segue o USDT, da Tether, com capitalização de mercado de aproximadamente US$ 186,24 bilhões e dominância de pouco mais de 60%.
Só na última semana, o token teve alta de 0,32% na oferta, com emissão líquida de US$ 593 milhões, distribuída entre redes como Tron, Solana, Ethereum, Aptos e Polygon.
Na segunda posição aparece o USDC, da Circle, que responde por cerca de um quarto do mercado de stablecoins. A base circulante do token também foi expandida para 0,71% na semana, adicionando US$ 555,5 milhões.
As novas unidades foram emitidas em redes como Ethereum, Solana, Hyperliquid, Base e BNB Smart Chain. Consolidando, desse modo, a estratégia multichain da emissora.

Pagamentos empurram crescimento das moedas estáveis
O salto recente do setor é atribuído, em grande parte, às stablecoins focadas em pagamentos. Essa categoria cresceu, enquanto as versões com rendimento perderam tração.
Projetos como PayPal USD (PYUSD) e USD1, da World Liberty Financial, registraram novas emissões ao longo da semana. Aproveitando, assim, integrações com grandes plataformas de pagamento e comércio digital.
A PYUSD, em especial, avançou 13,33% em 30 dias, alcançando US$ 3,863 bilhões em capitalização, o que a coloca como a sexta maior stablecoin voltada a pagamentos.
Por outro lado, o segmento de stablecoins com rendimento (yield-bearing) encolheu 1,9% no último mês, com resgates superando a emissão de novos tokens.
Casos como alUSD, que despencou 80,5%, smsUSD (queda de 68,1%) e sBOLD (recuo de 13,6%) ilustram uma ‘reprecificação’ de risco nesse nicho.
No total, as moedas estáveis que pagam juros somam, hoje, cerca de US$ 19,86 bilhões, distribuídos em 64 ativos – fatia relativamente pequena diante do mercado agregado.
Nem todas sobem: BUIDL e outras sofrem ajuste
O movimento de alta generalizada não impediu que alguns projetos relevantes sofressem quedas expressivas.
O BUIDL, token de dólar tokenizado da BlackRock voltado para investidores qualificados, viu sua capitalização encolher 13,24% na semana, passando para US$ 1,321 bilhão.
Analistas interpretam o recuo como uma combinação de realocação de capital institucional e uso ativo de resgates em momentos de incerteza de mercado.
Fora do top 10, algumas stablecoins menores tiveram forte oscilação positiva. O USDD, da Tron, saltou 23,46%, enquanto o vUSD também apresentou ganho de dois dígitos no período monitorado.
No agregado, porém, o setor avançou 0,57% em sete dias, com US$ 1,79 bilhão em novas emissões líquidas, sinal de expansão mais ampla do que episódios isolados de alta ou queda.
Moedas estáveis viram infraestrutura central da liquidez cripto
O novo recorde de US$ 310,1 bilhões surge em um contexto no qual relatórios de bancos e casas de pesquisa já descrevem a stablecoin como ‘pilar da liquidez digital’, com participação crescente no volume de transações on-chain.
Estimativas citadas por gestoras indicam que esses ativos movimentam, em média, centenas de bilhões de dólares por mês. Aproximando-se de volumes processados por redes tradicionais de cartões.
Ao mesmo tempo, o avanço regulatório tende a consolidar a preferência por stablecoins lastreadas em reservas de caixa e títulos públicos, em detrimento de modelos algorítmicos ou excessivamente alavancados.
Nesse cenário, o novo pico de capitalização não é apenas um recorde pontual, mas mais um sinal de que as moedas estáveis deixaram de ser nicho e se tornaram infraestrutura permanente da criptoeconomia e dos pagamentos digitais globais.
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