A Tether deu um passo ousado para se consolidar como uma força no mercado global de metais preciosos e ampliar sua reserva de ouro.
A companhia contratou dois traders de ouro de alto escalão do gigante bancário HSBC, sinalizando uma expansão agressiva para além do universo cripto.
Contratações estratégicas do HSBC
A notícia surge em um momento em que Tether (emissora da stablecoin USDT), já acumula mais de US$ 12 bilhões em sua reserva de ouro – um movimento que diversifica seus ativos e fortalece sua posição financeira.
Mas, o que está por trás dessa estratégia da companhia? Quem são os novos contratados e qual o impacto para o mercado?
A empresa trouxe para seu time Vincent Domien, que atuava como Chefe Global de Trading de Metais no HSBC, e Mathew O’Neill, Diretor e Chefe de Originação de Metais Preciosos para a região da Europa, Oriente Médio, África e Índia.
Tether hires leading gold traders from HSBC.
Tether has become one of the world’s largest holders of gold and plans to expand in this market. — BBG pic.twitter.com/fCf6Zxo3bM
— NekoZ (@NekozTek) November 11, 2025
Domien, que ingressou no HSBC em 2019, é uma figura proeminente no setor, sendo inclusive membro do conselho da London Bullion Market Association (LBMA) – a principal autoridade do mercado de ouro de Londres.
O’Neill, no HSBC desde 2008, atuava como especialista na cadeia de suprimentos física, liderando a equipe de originação de metais preciosos. Sua expertise reside em lidar diretamente com mineradoras, refinarias e bancos centrais, ou seja, a logística e a origem do ouro físico.
Ao trazer Vincent Domien, o chefe de negociação (trading), e Mathew O’Neill, o especialista em originação e logística física, a Tether sinaliza uma estratégia para dominar a cadeia de suprimentos física do ouro.
A ambição não é apenas digitalizar o metal — algo que já faz com o token XAUT — mas, sim, internalizar a expertise para gerenciar uma das maiores reservas privadas de ouro do mundo, controlando o processo desde a fonte até a negociação.
Este movimento estratégico é mais profundo do que um simples foco em blockchain. O objetivo é se tornar um player de peso no mercado físico de commodities.
Reserva de ouro físico já corresponde a US$ 12 bilhões
De acordo com relatórios de reservas da empresa, a Tether já detinha mais de US$ 12 bilhões em ouro, até setembro de 2025.
Para colocar em perspectiva, no último ano, a companhia adicionou, em média, mais de uma tonelada de ouro por semana às suas reservas. Este valor massivo, segundo os relatórios, é parte das reservas gerais da empresa.
Tether held >$12B of gold in Sept, according to its last reserves report. The El Salvador-based company has added to those holdings at an average rate of more than one ton a week in the year through Sept.
(Note – they have never undergone a full, independent financial audit)— JennyManyDots (@jenstilmanydots) November 11, 2025
A relação exata entre este montante e o ouro do XAUT não é detalhada publicamente. No entanto, a cifra por si só já posiciona a Tether como grande compradora.
Considerado o total de ativos, correspondente a US$ 183 bilhões, a diversificação para o ouro mitiga riscos. Além disso, protege as reservas da empresa contra a volatilidade de outros ativos.
Consequentemente, a quantidade acumulada posiciona a Tether entre os maiores compradores do mercado. De fato, a empresa rivaliza com a demanda de alguns bancos centrais.
Essa estratégia demonstra visão de longo prazo. Ademais, solidifica a confiança na Tether e no USDT.
Estratégia de expansão na cadeia de suprimento
A Tether não está apenas acumulando ouro: está construindo uma operação verticalmente integrada.
A empresa confirmou que está comprando ouro físico diretamente de refinarias na Suíça, um dos principais centros globais para o refino e armazenamento do metal.
Além disso, a Tether está investindo em empresas de mineração e em companhias de royalties de ouro.
Essa abordagem multifacetada sugere uma estratégia para controlar diferentes estágios da cadeia de suprimento, o que pode otimizar custos e garantir um fornecimento constante para suas crescentes reservas.
Ao dominar desde a extração até a negociação, a Tether pode se tornar um player ainda mais influente no mercado de ouro.
A expertise trazida por Domien e O’Neill será fundamental para navegar pelas complexidades do mercado físico, incluindo logística, custódia e relações com refinarias e mineradoras.
Essa integração vertical é uma jogada sofisticada, que pode gerar novas fontes de receita e fortalecer ainda mais a base de ativos que sustenta o ecossistema da Tether.
Rali histórico do ouro impulsiona movimento
A decisão da Tether de ampliar sua reserva de ouro ocorre em um momento particularmente favorável para o metal.
O ouro vive um rali histórico, com o preço ultrapassando os US$ 4.111 por onça, no momento da redação deste artigo.
Esse aumento é impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo incertezas geopolíticas, instabilidade fiscal em grandes economias e uma busca geral por ativos de refúgio seguro.
A alta demanda pelo metal também acirrou a competição por traders experientes, tornando as contratações da Tether ainda mais significativas.
O cenário de alta do ouro valida a estratégia da Tether de diversificar suas reservas.
Ao alocar uma porção significativa de seus ativos em um metal que tem se valorizado consistentemente, a empresa não apenas protege seu capital, mas também se beneficia da valorização do próprio ouro.
A aposta, portanto, funciona tanto como uma medida defensiva quanto como um investimento lucrativo, alinhando a gestão de suas reservas com as tendências macroeconômicas globais.
O que isso significa para o USDT e o mercado cripto
Para os detentores de USDT e para o mercado de criptomoedas como um todo, a expansão da Tether no mercado de ouro é um sinal positivo.
A diversificação das reservas com um ativo tangível e historicamente estável como o ouro aumenta a robustez do lastro da stablecoin.
Isso pode fortalecer a confiança no USDT, que é a espinha dorsal da liquidez no mercado cripto, com uma capitalização de mercado de US$ 183 bilhões.
Em um setor frequentemente criticado pela falta de transparência e pela qualidade dos ativos de reserva, a aposta da Tether em ouro físico e auditável é um passo importante.
A mensagem da Tether é clara: a companhia não está apenas contratando especialistas em blockchain, que já possui. Mas, sim, os principais operadores do mercado físico, para gerenciar uma das maiores reservas de ouro privadas do mundo.
Tether avança sobre o mercado de ouro
- A Tether contratou Vincent Domien e Mathew O’Neill, traders sêniores de metais preciosos do HSBC, para expandir suas operações no mercado de ouro.
- A empresa já possui mais de US$ 12 bilhões em reservas de ouro, adicionando mais de uma tonelada por semana.
- A estratégia inclui compra de ouro físico de refinarias suíças e investimentos em empresas de mineração e royalties de ouro.
- O movimento ocorre durante um rali histórico do ouro, que atingiu US$ 4.100 por onça em novembro de 2025.
- A Tether diversifica sua atuação para além das stablecoins, com US$ 183 bilhões em ativos totais e mais de US$ 10 bilhões em lucros em 2025.
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